A FONTE DE ENERGIA DO LÍDER!

A FONTE DE ENERGIA DO LÍDER!

Uma falta de energia pode ser desastrosa!

Hospitais e outros serviços essenciais possuem geradores de reserva em caso de falta de eletricidade.  Estes equipamentos devem manter tudo funcionando, porque vidas dependem disto. A energia e os meios para utilizá-la são vitais em uma sociedade industrializada.

Os líderes devem estar cientes de que precisam de energia para manter seu grupo, seus liderados e a si mesmos em movimento. Mas qual é a fonte de poder do líder para tudo isso?
O próprio Deus!  E podemos dizer que o gerador dessa energia é o que chamamos de Comunhão

O apóstolo Paulo disse a uma das igrejas que o sustentavam:

“Tudo posso naquele que me fortalece”. Filipenses 4:13.

Davi, séculos antes, declarou:

“Deus é a minha fortaleza e a minha força, e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.” 2 Samuel 22:33.

Deus mesmo é a nossa fonte de força, mas a comunhão com Ele é que “liga a chave” e torna o poder operante e efetivo em nossa vida.

A grande escola para a liderança de Davi como rei, foi o tempo que ele passou a sós com Deus, quando ainda era um jovem pastor de ovelhas.

Anos e anos a sós com Deus prepararam Davi para a  liderança sob a direção de Deus.

Ele certamente havia visto líderes em ação, primeiramente vivendo no palácio ainda menino, mas seu tempo com o Senhor foi de maior valia do que seu tempo com as pessoas.  Como líder do exército e administrador da nação, Davi possuía pouco preparo. Não teve oportunidade de cursar nenhuma universidade, mas conhecia a Deus.

E é nesta área que o diabo mais concentra seus ataques.   Ele não se importa muito se você participa de seminários, conferências ou encontros, ou mesmo se você não falta em nenhum culto se você não busca a comunhão com Deus.

Mas quando você leva a sério o conhecer a Deus através de uma comunhão íntima, prepare-se para uma guerra. Sua agenda começará a ficar lotada com assuntos urgentes e imprevistos. Você ficará muito ocupado para ter comunhão com o Senhor.

Por que o inimigo de nossa alma ataca tão furiosamente o tempo que o líder reserva para ter com Deus?  Por causa da importância vital que esse tempo tem na vida do líder.

Você pode perguntar quais são as recompensas espirituais que recebemos, se formos fiéis em nossa comunhão com Ele?  Para responder, precisamos fazer outra pergunta: Qual é o propósito maior do homem sobre a terra?

A resposta está em Isaías 43:7:

“… todos os que são chamados pelo meu nome, que criei para minha glória, que formei e fiz”.

“O objetivo principal do homem é glorificar a Deus.”

As pessoas freqüentemente recitam esta declaração de fé, mas nem sempre sabem na verdade o que ela significa na vida diária.

Deus originalmente criou pessoas para glorificar seu nome.  Criou seres humanos à Sua imagem para que tivessem comunhão com Ele.  Mantinha uma comunhão íntima com Adão e Eva no jardim.  Mas então eles pecaram, desobedecendo-O e trazendo desonra ao Seu nome.
A imagem foi desfigurada, e a comunhão quebrada.

Mas no tempo certo, Deus deu um passo decisivo para recriar nas pessoas a possibilidade de novamente darem glória ao Seu nome.

Seria possível haver alguém que, em cada pensamento, palavra e atitude trouxesse glória a Deus, a cada momento, todos os dias e anos de sua vida? Sim.  Essa pessoa foi o Senhor Jesus Cristo.

Em sua oração ao Pai, Ele disse sobre si mesmo:

“Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer” (Jo 17:4).  

Portanto, se desejo atingir meu alvo principal na vida, que é glorificar a Deus, devo ser transformado mais e mais à Sua imagem, para tornar-me como Cristo.

O desejo do coração de Deus é que nos tornemos como Seu Filho.

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).

Isto glorifica a Deus.

Como posso então tornar-me semelhante a Cristo?  Como alguém pode tornar-se semelhante a outra pessoa?  Estando ao seu lado, conversando com ela, fazendo coisas juntos.

Você conhece um casal que tenha convivido durante 50 anos e esteja celebrando bodas de ouro?  Eles não apenas agem de modo semelhante e apreciam as mesmas coisas ou têm gostos semelhantes; eles chegam até a se parecerem fisicamente um com o outro!

Lembro-me de um dia quando fui visitar um padrinho de casamento no Rio de Janeiro, e quando eu cheguei em sua casa ele ainda não havia chegado do trabalho e sua esposa me recebeu em sua casa. Estávamos conversando sobre alguns assuntos quando de repente ela disse: “Isso é um grande “embuche”!

Grande embuche! – eu pensei – que palavra diferente. Era uma palavra própria do quartel , pois seu marido é ex-PQD, paraquedista do exército e aquela palavra fazia parte do dialeto dele. E lá estava ela falando aquilo. Ela havia começado a incorporar seu vocabulário do exército.  Então, ele chegou em casa e eu fiquei também admirado de ver como a vida dela, havia influenciado a dele.  Eles estavam vivendo juntos em comunhão um com outro e estavam ficando parecidos.

O mesmo ocorre conosco, em nosso relacionamento com o Senhor. Para que sejamos “conformes a imagem de seu Filho”, devemos investir tempo a sós com Ele em comunhão pessoal.  Líderes que fizerem isso, que construírem uma vida devocional, diferente de uma vida “de improviso”, estabelecerão contato direto com Deus e serão poderosamente usados por Ele.  Deus busca tais pessoas.

Ele diz em (Ez 22:30):

“Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei”

Quando Deus encontra uma pessoa que coloca como prioridade de vida a comunhão dinâmica, pessoal e íntima com Ele, seu poder, direção e sabedoria são direcionados para e através dessa pessoa.  Deus encontrou alguém através de quem pode mudar
o mundo.

Três elementos básicos caracterizam a vida de comunhão com o Senhor.   E o primeiro deles é A Palavra de Deus.

Deus fala conosco por meio de Sua palavra.  Paulo escreve em 2 Timóteo 3:16-17. “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”

Devemos entrar dentro da Palavra e ela deve entrar dentro de nós.  Mergulhamos na Palavra ao ouvir pregações, ao lê-la, estudá-la e memorizá-la.  Também a assimilamos através da meditação, incorporando-a em nossa vida espiritual.

Como no alimento físico, não é o que ingerimos que nos afeta, mas o que digerimos e assimilamos.  Isso é meditação.  Meditar é aprofundar-se na Palavra, revolvê-la em nossa mente, ir além da superfície. No Salms 119:97 o salmista diz:

“Quanto amo a tua lei! É a minha meditação todo o dia”.

Quando criança uma vez, fui com o colégio visitar o morro do Pão de Açucar no Rio de Janeiro. É um lugar lindo e cheio de histórias… lembro-me que a professora que nos levou nesse passeio era nova e de um porte atlético, bom preparo físico. E nós, crianças, estávamos cheios de energia também.  Me lembro que aquele passeio não durou mais do que duas horas. Em duas horas conhecemos os dois morros principais do pão de açúcar.

Naquele passeio realmente adquirimos uma visão panorâmica de lá, mas será mesmo que o vimos? Será que nós realmente conhecemos o Pão de açúcar?

Alguns anos mais tarde, minha esposa e eu voltamos, para passearmos novamente naquele lugar, mas dessa vez, levamos uma manhã inteira conhecendo o lugar.  Vi e absorvi a beleza e a majestade de lugares ali, por entre as quais havia praticamente corrido na primeira visita.  Desta vez, minha alma foi tocada pela paisagem.  Tive tempo para realmente observá-las, experimentá-las, sentir o significado e a mensagem delas.

Assim é com a Palavra de Deus.  Se corremos os olhos apressadamente pela Bíblia para cumprir nosso programa de leitura, ou rapidamente “passamos” o estudo para nosso GV, se olhamos para o relógio esperando que o culto termine depressa a fim de corrermos para alguma outra atividade, quase nada acontecerá em nossa vida.  É como sair em disparada por entre os corredores do pão de açúcar.  Nós a vemos, mas na verdade, não a vimos.  Mas se abrirmos a Palavra e dermos tempo para que o Espírito de Deus toque nossa vida, para que possamos absorvê-la em nosso coração e ver Sua grandeza e formosura, estaremos em verdadeira comunhão com Deus.

O Senhor quer comunicar-se conosco através de sua Palavra. Se gastarmos tempo para meditar, experimentaremos a profundidade e a imensidão da mensagem, e o Espírito de Deus falará conosco e nos moverá.

E aqui um ponto importante.  É Deus quem faz isso, não as palavras que estão impressas no papel.  Ele usa Sua Palavra como um meio, um instrumento para comunicar-se conosco.
Ouça o que diz o SaImo 119:25: “A minha alma está apegada ao pó: vivifica-me segundo a tua palavra”.  Observe que é o próprio Deus quem pode vivificar o salmista.  É Ele utiliza Sua palavra como um instrumento para fazer isso.

Precisamos desenvolver amor pela Palavra de Deus. “Quanto amo a tua lei! E a minha meditação todo o dia” foi o versículo que citamos de SaImos 119:97.  Foi o amor à Palavra de Deus que impeliu o salmista a meditar nela.  É aí que tudo deve começar.

Peça ao Senhor que lhe dê amor e encanto por Sua Palavra.

“Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo” diz o Salmo 119:35).

“Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor, e se compraz nos seus mandamentos” (Salmos 112:1).

“Terei prazer nos teus mandamentos, os quais eu amo”. (Salmos 119:47).

Líderes dignos de sua vocação e que irão verdadeiramente conduzir outros em sua caminhada espiritual devem ser pessoas da Palavra.

O segundo elemento da comunhão é a oração.

Deus fala conosco através da Sua Palavra, e nós falamos com Ele através da oração.

Algo a ser lembrado é que há orações que movem a mão de Deus, e há outras que não têm efeito algum. Qual é a diferença?

Jesus falou sobre diferentes tipos de oração em uma parábola.  Ele disse assim:

“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um fariseu e o outro publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: O Deus, graças te do porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado” (Lc 18:10-14).

É interessante como os filmes usam a música para causar um efeito em nós!  Quando a situação fica tensa, a música fica tensa;  Quando a situação é de ação, a música rápida nos faz entrar no clima…  Quando as coisas ficam triste, então uma melodia triste nos faz entrar no clima e muitas vezes nos leva ás lágrimas. A música no cinema são usadas para “causarem efeito”.

Assim é na parábola de Jesus.  O fariseu orava meramente para tentar causar efeito, como um meio para impressionar, e Jesus disse: “Ele orou de si para si mesmo”.  O publicano, por sua vez, lidava diretamente com Deus. Ele orou com efeito, a fim de alcançar algo. Este é o tipo de oração que devemos oferecer a Deus.

Tiago 5:16 declara:

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica dos justos”.

Para ser efetiva, a oração tem de ser fervorosa.  Isto é ilustrado por um incidente na Igreja Primitiva (At 12:1-12).  Herodes havia iniciado seu reinado de terror e perseguição aos cristãos.  Já havia mandado matar Tiago, irmão de João, e preparava-se para fazer o mesmo com Pedro, que estava na prisão, seguramente guardado por dezesseis soldados.  Mas seus irmãos oraram por Pedro, e, como resposta, o Senhor enviou um anjo para libertá-lo.

Várias traduções usam palavras diferentes para descrever o tipo de oração que foi oferecido naquele momento.  Mas a palavra usada no original para descrever a oração que aqueles irmãos faziam é a mesma empregada para descrever, por exemplo, a intensidade do sentimento de alguém que está sendo dilacerado em uma mesa de tortura.

A razão para essa fervente oração é óbvia.  Primeiro, era fisicamente impossível para Pedro escapar.  E talvez, a outra razão que desencadeou essa oração fervorosa, foi o passado de Pedro.  Ele era conhecido por haver negado o Senhor quando as coisas se complicaram.  “Será que Deus estava respondendo às suas orações?”, poderiam estar pensando esses irmãos.  Mas eu posso garantir que sim!!

Na noite anterior à execução, Pedro estava dormindo como um bebê, acorrentado entre dois soldados.  A fervente e efetiva oração daquele pequeno grupo de cristãos funcionou, e muito. Pedro não só escapou da morte, como também foi libertado da prisão de modo extraordinário.  Deus ouviu e respondeu aquela oração.

Há alguns anos acompanhei um médico que foi atender a um paciente em domicílio. Após examiná-lo, ele me disse: “O coração do homem está mal”.   Eu me perguntei como ele sabia.  Durante a consulta, aquele homem ontra-argumentava que nunca havia sentido tão bem, que sua velha máquina estava em boa forma, e que o médico estava perdendo seu tempo conversando sobre isso.   Mas, independentemente de tudo o que pudesse ser dito, aquele médico sabia que o coração do paciente não estava bem.

Como?  Simples, ele ouviu o coração do homem com um estetoscópio e não prestou atenção ao que o homem dizia. O mesmo acontece com Deus.

Não oramos através de um microfone espiritual, com Deus escutando por meio de fones de ouvido celestiais.  Ele, ao contrário, ouve nossas orações por meio de estetoscópios espirituais.  A prova disse é o que ele diz em Mateus 15:8: “Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim.”

O chamado de Jeremias, por exemplo, conforme escrito em Lamentações 2:19 foi para “derramar seu coração como água perante o Senhor”. E deve ser considerado hoje.

Você já ouviu alguma vez cristãos, ao partir, dizerem: “Vou orar por você”?  Quantas vezes isso é meramente um modo de dizer adeus.  Quão diferentes foram as palavras do apóstolo Paulo: “Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu filho, é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, em todas as minhas orações” (Rm 1:9-10).

Pois oração, para ser fervorosa, tem de ser específica.  Em muitas ocasiões, caímos na rotina de orar “Senhor, abençoa a igreja” ou “Deus, abençoe nosso grupo de vida” ou “Deus, ajude aos irmãos necessitados”.

Mas a oração do líder deve ser específica em duas áreas:  Primeiro, ela deve concentrar-se no crescimento e desenvolvimento de cada pessoa liderada.

O apóstolo Paulo nos deu um exemplo, ele disse:

“Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; afim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no pleno conhecimento de Deus” (Cl 1:9-10).

Do mesmo modo, considere as orações de Epafras.

“Saúda-vos Epafras que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós, nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus” (Cl 4:12).

A oração é o primeiro elemento da comunhão com o Senhor!

Segundo: Líderes devem orar pela maturidade espiritual de seu grupo, e para que Deus levante dentre eles trabalhadores que possam ir para a colheita nos campos mundo afora.

Em Mateus 9:36-38 está escrito:

“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E então se dirigiu a seus discípulos: A seara na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”.

O último elemento da comunhão é a obediência.

Não há comunhão com um superior sem que haja obediência a ele, e Jesus Cristo é muito maior que qualquer superior.  Não há comunhão com um superior sem obediência. Jesus disse:

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14:21).

O Senhor deixou claro o perigo da desobediência:  

“Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? Todo aquele que vem a mim e ouve as minhas palavras e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante. E semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha; e, vindo a enchente, arrojou-se o rio contra aquela casa, e não a pôde abalar, por ter sido bem construída. Mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra sem alicerces, e arrojando-se o rio contra ela, logo desabou; e aconteceu que fo i grande a ruína daquela casa” (Lc 6:46-49).

Uma vida de obediência é a grande motivação das pessoas que que os seguem.  Eles vêem suas vida e são desafiados a níveis mais altos de compromisso e obediência.

Então, os níveis da comunhão são: a Palavra, a oração e a obediência.  Eles são imperativos para líderes.  Os líderes precisam experimentar o poder de Deus em sua vida e ministério regularmente.

Comunhão com o Senhor é o interruptor que completa a conexão e torna a energia disponível.
Sem isso, os líderes não passam de organizadores de atividades e esforços humanos.

Porém, ao viverem em real comunhão com Deus, os líderes são ferramentas nas mãos do Deus Todo poderoso para o cumprimento de Seu propósito na terra.

Pense nisso e busque uma vida de comunhão com o Senhor Jesus.  Que Deus o abençoe!!

QUEM ESTÁ APTO A LIDERAR?

QUEM ESTÁ APTO A LIDERAR?

Antes que as pessoas assumam uma liderança, devem avaliar o assunto cuidadosamente.

“Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo” (Tg 3:1).

Os líderes serão julgados de maneira mais severa e rígida que seus liderados. Esse pensamento deve fazer-nos parar e refletir. A próxima sentença no mesmo capítulo apresenta-nos outra razão:

“Porque todos tropeçamos em muitas coisas”. (Tg 3:2a)

Sabemos que cometemos muitos deslizes; tropeçamos de muitas formas.

Assim, naturalmente hesitamos em crer que possamos liderar outros. Contudo, ao analisar a vida de líderes de Deus, fica evidente que esse sentimento de inadequação não é uma boa razão para recusar a tarefa. Afinal, somos todos pecadores diante de Deus. Quem entre nós poderia dizer que não “falhou” de muitas maneiras e em várias situações? Se esta é uma razão plausível para não assumir uma liderança, ninguém jamais poderia fazê-lo.

Vamos analisar alguns líderes escolhidos por Deus no passado, e ver como eles responderam quando o Senhor os abordou para que assumissem a liderança em uma tarefa.

O chamado de Moisés

Vejamos Moisés. Ele estava no deserto, pastoreando o rebanho de Jetro, seu sogro, quando o chamado de Deus chegou. O fato de que este homem culto, acostumado aos confortos e prazeres do palácio, trabalhava agora num dos empregos menos prestigiados de sua época, poderia ser suficiente para deixá-lo amargurado. Apascentar ovelhas era uma profissão sem atrativos.

Talvez Moisés estivesse agora sentindo pena de si mesmo, tão ocupado com sua desgraça que seria incapaz de ouvir a voz de Deus. Para piorar ainda mais sua situação, trabalhava para os sogros! Então uma coisa estranha e ao mesmo tempo maravilhosa aconteceu.

“Apareceu-lhe o Anjo do Senhor numa chama de fogo do meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.” (Ex 3:2).

A primeira coisa que o Senhor fez foi revelar-se a Moisés. Moisés estava seguro de que havia falado com ele (veja os v. 5 e 6). Isto é algo do qual você precisa ter certeza. Quando alguém lhe pede para servir de um modo ou de outro, certifique-se de que Deus está ao seu lado. Não se comprometa um milímetro sequer em nenhuma direção, seja ela “sim” ou “não”, sem identificar a vontade Dele neste assunto. As vezes, você a reconhecerá imediatamente. Em outras ocasiões, terá de esperar até que Deus a torne clara. Mas tenha certeza disto: Ele irá mostrá-la a você. Nosso Pai que está nos céus sabe muito bem comunicar-se com seus filhos. Ele confirmará Sua vontade naquela área específica. Ele não quer que vivamos sob incerteza. Por estar interessado no que fazemos, Deus tornará sua vontade conhecida. Ele assim nos promete.

“Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.” (SI 32:8).

Observe neste versículo que Deus assume a responsabilidade de dirigir-nos. A certeza da direção nas Escrituras é tão básica quanto a certeza do perdão. Note também que Deus nos instruirá, ensinará e aconselhará. Em outras palavras, mostrará o caminho que devemos a seguir. Que segurança!

Outra promessa encontra-se no Salmo 48:14:

“Que este é Deus, o nosso Deus para todo sempre: ele será nosso guia até a morte”.

As palavras desta promessa são inconfundíveis: “Ele será nosso guia”. Você pode então descansar na disposição e habilidade de Deus em mostrar qual é a Sua vontade para você. Como Moisés, você pode estar certo de que foi realmente Deus quem falou. A segunda coisa que ocorreu foi que o Senhor revelou a Moisés a responsabilidade que tinha por seu povo.

“Disse ainda o Senhor: Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento…” (Êx 3:7).

Moisés — você deve recordar — havia tomado para si a responsabilidade sobre a situação dos filhos de Israel, e foi um encorajamento para ele saber que o próprio Deus também se interessava por eles. O Senhor então fez uma declaração dramática: “… por isso desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel…” (v. 8). Dá para imaginar a alegria e o entusiasmo que inundaram a mente de Moisés àquela altura? O Deus vivo pessoalmente ajudaria e livraria o povo! Logo depois, vem outra declaração que deve ter colocado em parafuso a cabeça de Moisés. “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (v. 10).

É possível ouvir as questões bombardeando a sua mente: “Mas Senhor, eu pensei que ha vias dito que T u descerias e os livrarias. Por que agora essa idéia de eu ter de ir a Faraó, eeu ter de tirar os filhos de Israel do Egito? Se tu vais fazer isto, Senhor, por que é que eu tenho de ir?” Esta é, aliás, uma pergunta-chave que todos devemos responder a nós mesmos. Quando compreendemos que Deus,  como método para realizar seus planos e propósitos, usa pessoas, passamos então a entender nosso papel no Seu reino. Foi assim com Moisés. Deus tinha um trabalho para ele.

No entanto, Moisés não se sentia qualificado para a tarefa que havia recebido. E clamou ao Senhor com a pergunta: “Quem sou eu?”.

Inicialmente parece que Deus ignorou a pergunta de Moisés, mas talvez não.  Perece que Ele estava fazendo com que Moisés soubesse que a sua identidade não estava em suas habilidades, treinamentos ou popularidade; não estava nem mesmo em seus dons ou na sua unção.  Ela estava centrada em uma só coisa: “Você é com quem Eu quero estar”.  Quem era Moisés? O cara que Deus queria passar tempo junto.  Moisés poderia não saber quem ele era, mas Deus sabia de quem ele era.

Nesta atitude divina reside um dos grandes segredos da liderança para o cristão. Deus disse: “Eu serei contigo”.

O Senhor estava tentando comunicar a Moisés uma verdade poderosa. Em outras palavras, Ele disse: “Moisés, não importa realmente quem você é, ou se sente ou não qualificado, pronto ou não para a tarefa. A questão é que Eu estarei lá. A declaração que fiz a você permanece: ‘Desci a fim de livrá-los’. E eu farei isto e lhe darei o privilégio de estar nesta operação comigo. Você será meu instrumento de libertação”. Lembre-se desta verdade quando Deus chamá-lo para assumir uma posição de liderança em Sua obra. Ele não está procurando pessoas que se sintam “suficientes”. Paulo disse

“não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus”(2 Co 3:5).

Estou certo de que o senso de necessidade e inadequação podem ser um triunfo, mais que uma desvantagem. O testemunho de Paulo é um exemplo disto:

“Então ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas para que sobre mim repouse o poder de Cristo… Porque quando sou fraco, então é que sou forte.” (12:9-10).

Muitas pessoas ficam admiradas diante disso e exclamam: “Você quer dizer que o grande apóstolo Paulo sentiu-se assim?”. A resposta é sim, e isto, sem dúvida, contribuiu para sua grandeza.

A próxima lição que aprendemos de nossa observação do chamado de Moisés é também muito importante. É ótimo que tenhamos consciência de nossas limitações, mas não devemos parar aí. Devemos também estar convencidos da absoluta suficiência de Deus. Esse é o próximo passo, em seu diálogo com Moisés. Moisés levanta outra questão:

“Suponhamos que eu vá ao povo e diga: ‘O Deus de seus pais enviou-me a vocês’, e eles me perguntem, ‘Qual é o nome dele?’, o que é que eu vou dizer?” (Êx3:13).

A esta pergunta, Deus dá uma resposta singular: “Eu sou o que sou… Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração a geração” (vv. 14-15). Quando eu era recém-convertido, fiquei por muito tempo confuso com essa resposta. O que será que Deus quis dizer quando Se revelou como “eu sou”? Então, um dia, ‘finalmente entendi’. Ele está dizendo “Seja o que for que você precise, é isso o que eu sou!”.

Aquela altura da vida, Moisés necessitava de encorajamento e força. Essa será, muito provavelmente, também a sua necessidade quando você receber um chamado de Deus para servi-lo em alguma tarefa específica. E o fato de que sempre temos necessidades reforça ainda mais esta verdade.

Estamos carentes de conforto? Eu sou o teu conforto:

“lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5:7).

Precisamos de vitória sobre algum pecado que nos importuna? Eu sou tua vitória.

“Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15:57).

Necessitamos de amor?

“Deus é amor” (1 Jo 4:8).

Podemos listar um rol de necessidades. Deus é absolutamente suficiente para atendê-las. O que Ele estava dizendo era Eu sou tudo o que meu povo precisa. Assim, é verdade que devemos reconhecer nossa insuficiência, mas não podemos deter-nos nesse ponto. Se assim o fizermos, teremos problemas.

Devemos seguir adiante no raciocínio e reconhecer também a absoluta adequação e suficiência de Deus para encarar qualquer teste, superar qualquer problema, conquistar qualquer vitória. Foi necessário algum tempo para que Moisés aprendesse, mas ele chegou a essa compreensão e foi usado poderosamente por Deus.

O chamado de Gideão

Para reforçar essa verdade absolutamente essencial que é a suficiência de Deus, consideremos outro homem, por ocasião de seu chamado. Lembra-se das grandes batalhas travadas e vencidas por Gideão? Com um pequeno grupo, ele fez bater em retirada os exércitos inimigos. Será que ele foi sempre assim? Ousado, corajoso, valente na batalha? Dificilmente! Os filhos de Israel sofriam nas mãos dos midianitas. Escondiam-se em covas e cavernas nas montanhas. Tinham sLias colheitas destruídas e seus animais confiscados. Estes inimigos, como uma praga de gafanhotos, consumiam tudo o qtie encontravam pela frente. A razão para o drama do povo de Israel era, obviamente, seu pecado.

“Fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; por isso o Senhor os entregou nas mãos dos midianitas…” (Jz 6:1).

Uma noite, Gideão estava malhando trigo no lagar a fim de colocá-lo a salvo dos midianitas. O anjo do Senhor apareceu e o chamou para ser o instrumento de libertação de seu povo. Sua primeira reação soou bem familiar para Deus àquela altura.

“… Ai Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis qLie a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai” (v. 15).

De novo, Deus foi ao cerne da questão com o homem que escolhera para a tarefa.

“… Já qLie eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem” (v. 16).

Note a semelhança com o que Deus disse a Moisés na sarça ardente. Com efeito, Deus declarou: “Gideão, não importa que sua família seja a mais pobre em Manassés, ou que você seja o menor na casa de seu pai. A questão não é quem você é, mas que Eu estarei com você. Não é na sua fraqueza que nos deteremos, mas em minha força. Eu trabalharei através de você”. Portanto, se Deus o chama para uma tarefa e você experimenta um sentimento avassalador de fraqueza, incapacidade e inadequação, alegre-se, pois você está em boa companhia! Homens e mulheres de Deus através dos séculos sentiram-se do mesmo modo. Mas eles também creram que Deus seria suficiente para realizar a obra para a qual os havia chamado.

O chamado de Jeremias Há um homem cuja vida precisamos examinar quando tratamos deste assunto. Jeremias foi um dos grandes profetas de Deus. Ele foi fiel ao seu chamado e sofreu por causa de sua fidelidade. Mas como ocorreu esse chamamento? E como Jeremias respondeu quando Deus o instruiu a assumir uma posição de liderança em seu reino? Observe o texto:

“A mim me veio, pois, a palavra do Senhor, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constituí profeta às nações” (Jr 1:4-5).

O trabalho básico de um profeta era proclamar a Palavra de Deus ao Seu povo. Como Jeremias respondeu a este desafio? Ergueu-se imediatamente com fé e entusiasmo? Não, sua resposta foi semelhante às de Moisés e Gideão: “… ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque não passo de uma criança” (v. 6). Sua reação inicial foi de inadequação. Ele não se sentiu capacitado para a tarefa. Veja a resposta de Deus:

“Mas o Senhor me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto eu te mandar, falarás. Não temas diante deles; porque eu sou contigo para te livrar, diz o Senhor” (vv. 7-8).

Observe a promessa de Deus:  “Eu estou contigo.” Novamente, a questão é que Deus estará lá. O Deus todo sábio, todo-poderoso, todo-suficiente estará ao seu lado. Em todas essas ocasiões, é isto o que Ele sempre diz. No caso de Jeremias, Ele não prometeu um mar de rosas, mas a certeza de Sua presença, proteção e direção foi reiterada diversas vezes.

“Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o Senhor para te livrar” (v. 19).

Outros chamados — Naquele tempo e agora

Você recorda as últimas palavras de Jesus Cristo a Seus discípulos?

“Ide portanto fazei discípulos de todas as nações”. Acompanhando esta ordem, houve uma promessa: “E eis que estou convosco todos os dias”. (Mt 28:19-20).

Deus nos dá hoje o mesmo fundamento que deu aos heróis da fé no passado, para servi- Lo confiadamente: Eu (o Senhor) estou contigo.

Outra coisa que o diabo pode usar para impedir-nos de caminhar pela fé em resposta ao chamado de Deus é algum fato indesejável em nossa história de vida. Podemos ser assim levados a pensar que tal obstáculo é demasiado grave para ser superado, ou que será um impedimento para a realização da obra. Novamente, as Escrituras nos lembram da falácia deste argumento.

O apóstolo Paulo foi um assassino que gastou grande parte de seu tempo e energia perseguindo a igreja de Deus. Ele mais tarde confessaria envergonhado:

“Senhor, eles bem sabem que eu encerrava em prisão e, nas sinagogas açoitava os que criam em ti. Quando se derramava o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu também estava presente, consentia nisto, e até guardei as vestes dos que o matavam” (At 22:19-20).

Paulo disse de si mesmo:

“Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus” (1 Co 15:9).

Mas ele também escreveu:

“Sou grato para com aquele que me fortaleceu, a Cristo Jesus nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim que noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (1 Tm 1:12-13).

Se houve um homem cujo histórico o desabilitaria para o serviço a Deus, esse homem foi Paulo. Ainda assim, tornou-se o grande apóstolo dos gentios e foi usado para escrever a maior parte do Novo Testamento. Outras pessoas com negras manchas em seus arquivos pessoais também tornaram-se grandes servos de Deus.

Penso em João Marcos, o jovem que se mostrou um servo infiel em uma viagem com Paulo e Barnabé. Quando planejaram a próxima viagem, Paulo disse que recusaria levar Marcos junto, por causa de seu passado desabonador (veja At 15:36-38). No entanto, este foi o homem que Deus escolheu para escrever o Evangelho de Marcos, que apresenta Jesus, Seu Filho, como servo sempre fiel. O passado de Marcos certamente não foi o fundamento para que Deus o escolhesse para essa tarefa.

Davi foi escolhido por Deus para ser o comandante e o líder de Seu povo, e para ser a cabeça administrativa do governo. Sua história de vida foi a de um pastor que cuidava de ovelhas sobre os montes da terra de Israel. Mas Deus o chamou e ele atendeu ao chamado. O seu histórico, ou mesmo a falta de um, não foi problema.

Assim, quando Deus chamar você para uma obra, não deixe que o sentimento de inadequação ou seus “pobres antecedentes” o impeçam de seguir Sua liderança.

“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp2:13).