Deus e eu: Um encontro dígrafo e não consonantal!

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e Eu em Ti, que também eles sejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste. (João 17: 21)

Quando criança, no primário escolar, era comum confundir dígrafo e o encontro consonantal, já que são bem parecidos.  Mas é preciso saber que eles têm diferenças.  A grande diferença do dígrafo para o encontro consonantal, é que no dígrafo as duas consoantes têm somente um som, chamado pela gramática de fonema, enquanto no encontro consonantal as duas consoantes são pronunciadas.

Não, esta não é uma aula de gramática.  O que quero ilustrar aqui é como é fácil confundirmos ter um “relacionamento” com Deus de uma vida de “intimidade” com Deus que apesar de parecidas, são diferentes.  Durante a nossa vida nós nos relacionamos com muita gente; na escola, no trabalho, em festas e eventos, com vendedores e etc…  conhecemos e somos conhecidos de muitos, mas intimidade temos com poucos.  Nem o fato de sermos ou termos irmãos garante que com estes teremos intimidade.

Estava assistindo um programa de televisão onde uma personagem, de cunho cômico, pronunciava constantemente as frases: “Valei-me Deus”, “Sangue de Jesus tem poder” e o jargão gospel: “tá amarrado”.  Me chamou a atenção o fato de que, a exemplo dessa personagem, muitas pessoas tem conhecimento de Deus, mas a maioria de forma superficial e descompromissada. Reconhecem Sua existência, acreditam em Seu poder, mas não tem intimidade com Ele.

Um dos cantores que eu gosto de ouvir é o Leonardo Gonçalves, reconheço a voz dele em qualquer lugar, conheço suas músicas e por admirá-lo musicalmente, conheço até mesmo um pouco de sua história, mas não tenho nenhuma intimidade com ele, aliás, ele nem sabe que eu existo.

Deus deseja ter conosco um relacionamento íntimo.  Um relacionamento verdadeiro.  Deus deseja que sejamos um com Ele.

Ser íntimo de Deus significa buscar conhecê-lo profundamente, dar valor ao que Ele diz, ao que Ele ensina, ao que Ele espera de nós conforme descrito em Sua palavra.  Ter intimidade com Deus vai além de orações religiosas, pré-formatadas ou de frequência em cultos, ter intimidade com Deus é quando o deixamos ser visto através de nós.

Como dito no início, a grande diferença do dígrafo para o encontro consonantal, é que no dígrafo as duas consoantes têm somente um som e assim deve ser a nossa vida com Deus.  Nossas palavras, nossas ações, nossos pensamentos devem refletir os de Deus.  Cristo deve ser visto em nós e através de nós, isso é intimidade.

Pense nisso: como você seria classificado no “mundo da gramática”?  Um dígrafo ou um encontro consonantal?

O Deus que concede perseverança e ânimo dê a vocês um espírito de unidade, segundo Cristo Jesus, para que com um só coração e uma só voz vocês glorifiquem ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Romanos 15:5-6

QUEM ESTÁ APTO A LIDERAR?

QUEM ESTÁ APTO A LIDERAR?

Antes que as pessoas assumam uma liderança, devem avaliar o assunto cuidadosamente.

“Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo” (Tg 3:1).

Os líderes serão julgados de maneira mais severa e rígida que seus liderados. Esse pensamento deve fazer-nos parar e refletir. A próxima sentença no mesmo capítulo apresenta-nos outra razão:

“Porque todos tropeçamos em muitas coisas”. (Tg 3:2a)

Sabemos que cometemos muitos deslizes; tropeçamos de muitas formas.

Assim, naturalmente hesitamos em crer que possamos liderar outros. Contudo, ao analisar a vida de líderes de Deus, fica evidente que esse sentimento de inadequação não é uma boa razão para recusar a tarefa. Afinal, somos todos pecadores diante de Deus. Quem entre nós poderia dizer que não “falhou” de muitas maneiras e em várias situações? Se esta é uma razão plausível para não assumir uma liderança, ninguém jamais poderia fazê-lo.

Vamos analisar alguns líderes escolhidos por Deus no passado, e ver como eles responderam quando o Senhor os abordou para que assumissem a liderança em uma tarefa.

O chamado de Moisés

Vejamos Moisés. Ele estava no deserto, pastoreando o rebanho de Jetro, seu sogro, quando o chamado de Deus chegou. O fato de que este homem culto, acostumado aos confortos e prazeres do palácio, trabalhava agora num dos empregos menos prestigiados de sua época, poderia ser suficiente para deixá-lo amargurado. Apascentar ovelhas era uma profissão sem atrativos.

Talvez Moisés estivesse agora sentindo pena de si mesmo, tão ocupado com sua desgraça que seria incapaz de ouvir a voz de Deus. Para piorar ainda mais sua situação, trabalhava para os sogros! Então uma coisa estranha e ao mesmo tempo maravilhosa aconteceu.

“Apareceu-lhe o Anjo do Senhor numa chama de fogo do meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.” (Ex 3:2).

A primeira coisa que o Senhor fez foi revelar-se a Moisés. Moisés estava seguro de que havia falado com ele (veja os v. 5 e 6). Isto é algo do qual você precisa ter certeza. Quando alguém lhe pede para servir de um modo ou de outro, certifique-se de que Deus está ao seu lado. Não se comprometa um milímetro sequer em nenhuma direção, seja ela “sim” ou “não”, sem identificar a vontade Dele neste assunto. As vezes, você a reconhecerá imediatamente. Em outras ocasiões, terá de esperar até que Deus a torne clara. Mas tenha certeza disto: Ele irá mostrá-la a você. Nosso Pai que está nos céus sabe muito bem comunicar-se com seus filhos. Ele confirmará Sua vontade naquela área específica. Ele não quer que vivamos sob incerteza. Por estar interessado no que fazemos, Deus tornará sua vontade conhecida. Ele assim nos promete.

“Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.” (SI 32:8).

Observe neste versículo que Deus assume a responsabilidade de dirigir-nos. A certeza da direção nas Escrituras é tão básica quanto a certeza do perdão. Note também que Deus nos instruirá, ensinará e aconselhará. Em outras palavras, mostrará o caminho que devemos a seguir. Que segurança!

Outra promessa encontra-se no Salmo 48:14:

“Que este é Deus, o nosso Deus para todo sempre: ele será nosso guia até a morte”.

As palavras desta promessa são inconfundíveis: “Ele será nosso guia”. Você pode então descansar na disposição e habilidade de Deus em mostrar qual é a Sua vontade para você. Como Moisés, você pode estar certo de que foi realmente Deus quem falou. A segunda coisa que ocorreu foi que o Senhor revelou a Moisés a responsabilidade que tinha por seu povo.

“Disse ainda o Senhor: Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento…” (Êx 3:7).

Moisés — você deve recordar — havia tomado para si a responsabilidade sobre a situação dos filhos de Israel, e foi um encorajamento para ele saber que o próprio Deus também se interessava por eles. O Senhor então fez uma declaração dramática: “… por isso desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel…” (v. 8). Dá para imaginar a alegria e o entusiasmo que inundaram a mente de Moisés àquela altura? O Deus vivo pessoalmente ajudaria e livraria o povo! Logo depois, vem outra declaração que deve ter colocado em parafuso a cabeça de Moisés. “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (v. 10).

É possível ouvir as questões bombardeando a sua mente: “Mas Senhor, eu pensei que ha vias dito que T u descerias e os livrarias. Por que agora essa idéia de eu ter de ir a Faraó, eeu ter de tirar os filhos de Israel do Egito? Se tu vais fazer isto, Senhor, por que é que eu tenho de ir?” Esta é, aliás, uma pergunta-chave que todos devemos responder a nós mesmos. Quando compreendemos que Deus,  como método para realizar seus planos e propósitos, usa pessoas, passamos então a entender nosso papel no Seu reino. Foi assim com Moisés. Deus tinha um trabalho para ele.

No entanto, Moisés não se sentia qualificado para a tarefa que havia recebido. E clamou ao Senhor com a pergunta: “Quem sou eu?”.

Inicialmente parece que Deus ignorou a pergunta de Moisés, mas talvez não.  Perece que Ele estava fazendo com que Moisés soubesse que a sua identidade não estava em suas habilidades, treinamentos ou popularidade; não estava nem mesmo em seus dons ou na sua unção.  Ela estava centrada em uma só coisa: “Você é com quem Eu quero estar”.  Quem era Moisés? O cara que Deus queria passar tempo junto.  Moisés poderia não saber quem ele era, mas Deus sabia de quem ele era.

Nesta atitude divina reside um dos grandes segredos da liderança para o cristão. Deus disse: “Eu serei contigo”.

O Senhor estava tentando comunicar a Moisés uma verdade poderosa. Em outras palavras, Ele disse: “Moisés, não importa realmente quem você é, ou se sente ou não qualificado, pronto ou não para a tarefa. A questão é que Eu estarei lá. A declaração que fiz a você permanece: ‘Desci a fim de livrá-los’. E eu farei isto e lhe darei o privilégio de estar nesta operação comigo. Você será meu instrumento de libertação”. Lembre-se desta verdade quando Deus chamá-lo para assumir uma posição de liderança em Sua obra. Ele não está procurando pessoas que se sintam “suficientes”. Paulo disse

“não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus”(2 Co 3:5).

Estou certo de que o senso de necessidade e inadequação podem ser um triunfo, mais que uma desvantagem. O testemunho de Paulo é um exemplo disto:

“Então ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas para que sobre mim repouse o poder de Cristo… Porque quando sou fraco, então é que sou forte.” (12:9-10).

Muitas pessoas ficam admiradas diante disso e exclamam: “Você quer dizer que o grande apóstolo Paulo sentiu-se assim?”. A resposta é sim, e isto, sem dúvida, contribuiu para sua grandeza.

A próxima lição que aprendemos de nossa observação do chamado de Moisés é também muito importante. É ótimo que tenhamos consciência de nossas limitações, mas não devemos parar aí. Devemos também estar convencidos da absoluta suficiência de Deus. Esse é o próximo passo, em seu diálogo com Moisés. Moisés levanta outra questão:

“Suponhamos que eu vá ao povo e diga: ‘O Deus de seus pais enviou-me a vocês’, e eles me perguntem, ‘Qual é o nome dele?’, o que é que eu vou dizer?” (Êx3:13).

A esta pergunta, Deus dá uma resposta singular: “Eu sou o que sou… Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração a geração” (vv. 14-15). Quando eu era recém-convertido, fiquei por muito tempo confuso com essa resposta. O que será que Deus quis dizer quando Se revelou como “eu sou”? Então, um dia, ‘finalmente entendi’. Ele está dizendo “Seja o que for que você precise, é isso o que eu sou!”.

Aquela altura da vida, Moisés necessitava de encorajamento e força. Essa será, muito provavelmente, também a sua necessidade quando você receber um chamado de Deus para servi-lo em alguma tarefa específica. E o fato de que sempre temos necessidades reforça ainda mais esta verdade.

Estamos carentes de conforto? Eu sou o teu conforto:

“lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5:7).

Precisamos de vitória sobre algum pecado que nos importuna? Eu sou tua vitória.

“Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15:57).

Necessitamos de amor?

“Deus é amor” (1 Jo 4:8).

Podemos listar um rol de necessidades. Deus é absolutamente suficiente para atendê-las. O que Ele estava dizendo era Eu sou tudo o que meu povo precisa. Assim, é verdade que devemos reconhecer nossa insuficiência, mas não podemos deter-nos nesse ponto. Se assim o fizermos, teremos problemas.

Devemos seguir adiante no raciocínio e reconhecer também a absoluta adequação e suficiência de Deus para encarar qualquer teste, superar qualquer problema, conquistar qualquer vitória. Foi necessário algum tempo para que Moisés aprendesse, mas ele chegou a essa compreensão e foi usado poderosamente por Deus.

O chamado de Gideão

Para reforçar essa verdade absolutamente essencial que é a suficiência de Deus, consideremos outro homem, por ocasião de seu chamado. Lembra-se das grandes batalhas travadas e vencidas por Gideão? Com um pequeno grupo, ele fez bater em retirada os exércitos inimigos. Será que ele foi sempre assim? Ousado, corajoso, valente na batalha? Dificilmente! Os filhos de Israel sofriam nas mãos dos midianitas. Escondiam-se em covas e cavernas nas montanhas. Tinham sLias colheitas destruídas e seus animais confiscados. Estes inimigos, como uma praga de gafanhotos, consumiam tudo o qtie encontravam pela frente. A razão para o drama do povo de Israel era, obviamente, seu pecado.

“Fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; por isso o Senhor os entregou nas mãos dos midianitas…” (Jz 6:1).

Uma noite, Gideão estava malhando trigo no lagar a fim de colocá-lo a salvo dos midianitas. O anjo do Senhor apareceu e o chamou para ser o instrumento de libertação de seu povo. Sua primeira reação soou bem familiar para Deus àquela altura.

“… Ai Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis qLie a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai” (v. 15).

De novo, Deus foi ao cerne da questão com o homem que escolhera para a tarefa.

“… Já qLie eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem” (v. 16).

Note a semelhança com o que Deus disse a Moisés na sarça ardente. Com efeito, Deus declarou: “Gideão, não importa que sua família seja a mais pobre em Manassés, ou que você seja o menor na casa de seu pai. A questão não é quem você é, mas que Eu estarei com você. Não é na sua fraqueza que nos deteremos, mas em minha força. Eu trabalharei através de você”. Portanto, se Deus o chama para uma tarefa e você experimenta um sentimento avassalador de fraqueza, incapacidade e inadequação, alegre-se, pois você está em boa companhia! Homens e mulheres de Deus através dos séculos sentiram-se do mesmo modo. Mas eles também creram que Deus seria suficiente para realizar a obra para a qual os havia chamado.

O chamado de Jeremias Há um homem cuja vida precisamos examinar quando tratamos deste assunto. Jeremias foi um dos grandes profetas de Deus. Ele foi fiel ao seu chamado e sofreu por causa de sua fidelidade. Mas como ocorreu esse chamamento? E como Jeremias respondeu quando Deus o instruiu a assumir uma posição de liderança em seu reino? Observe o texto:

“A mim me veio, pois, a palavra do Senhor, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constituí profeta às nações” (Jr 1:4-5).

O trabalho básico de um profeta era proclamar a Palavra de Deus ao Seu povo. Como Jeremias respondeu a este desafio? Ergueu-se imediatamente com fé e entusiasmo? Não, sua resposta foi semelhante às de Moisés e Gideão: “… ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque não passo de uma criança” (v. 6). Sua reação inicial foi de inadequação. Ele não se sentiu capacitado para a tarefa. Veja a resposta de Deus:

“Mas o Senhor me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto eu te mandar, falarás. Não temas diante deles; porque eu sou contigo para te livrar, diz o Senhor” (vv. 7-8).

Observe a promessa de Deus:  “Eu estou contigo.” Novamente, a questão é que Deus estará lá. O Deus todo sábio, todo-poderoso, todo-suficiente estará ao seu lado. Em todas essas ocasiões, é isto o que Ele sempre diz. No caso de Jeremias, Ele não prometeu um mar de rosas, mas a certeza de Sua presença, proteção e direção foi reiterada diversas vezes.

“Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o Senhor para te livrar” (v. 19).

Outros chamados — Naquele tempo e agora

Você recorda as últimas palavras de Jesus Cristo a Seus discípulos?

“Ide portanto fazei discípulos de todas as nações”. Acompanhando esta ordem, houve uma promessa: “E eis que estou convosco todos os dias”. (Mt 28:19-20).

Deus nos dá hoje o mesmo fundamento que deu aos heróis da fé no passado, para servi- Lo confiadamente: Eu (o Senhor) estou contigo.

Outra coisa que o diabo pode usar para impedir-nos de caminhar pela fé em resposta ao chamado de Deus é algum fato indesejável em nossa história de vida. Podemos ser assim levados a pensar que tal obstáculo é demasiado grave para ser superado, ou que será um impedimento para a realização da obra. Novamente, as Escrituras nos lembram da falácia deste argumento.

O apóstolo Paulo foi um assassino que gastou grande parte de seu tempo e energia perseguindo a igreja de Deus. Ele mais tarde confessaria envergonhado:

“Senhor, eles bem sabem que eu encerrava em prisão e, nas sinagogas açoitava os que criam em ti. Quando se derramava o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu também estava presente, consentia nisto, e até guardei as vestes dos que o matavam” (At 22:19-20).

Paulo disse de si mesmo:

“Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus” (1 Co 15:9).

Mas ele também escreveu:

“Sou grato para com aquele que me fortaleceu, a Cristo Jesus nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim que noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (1 Tm 1:12-13).

Se houve um homem cujo histórico o desabilitaria para o serviço a Deus, esse homem foi Paulo. Ainda assim, tornou-se o grande apóstolo dos gentios e foi usado para escrever a maior parte do Novo Testamento. Outras pessoas com negras manchas em seus arquivos pessoais também tornaram-se grandes servos de Deus.

Penso em João Marcos, o jovem que se mostrou um servo infiel em uma viagem com Paulo e Barnabé. Quando planejaram a próxima viagem, Paulo disse que recusaria levar Marcos junto, por causa de seu passado desabonador (veja At 15:36-38). No entanto, este foi o homem que Deus escolheu para escrever o Evangelho de Marcos, que apresenta Jesus, Seu Filho, como servo sempre fiel. O passado de Marcos certamente não foi o fundamento para que Deus o escolhesse para essa tarefa.

Davi foi escolhido por Deus para ser o comandante e o líder de Seu povo, e para ser a cabeça administrativa do governo. Sua história de vida foi a de um pastor que cuidava de ovelhas sobre os montes da terra de Israel. Mas Deus o chamou e ele atendeu ao chamado. O seu histórico, ou mesmo a falta de um, não foi problema.

Assim, quando Deus chamar você para uma obra, não deixe que o sentimento de inadequação ou seus “pobres antecedentes” o impeçam de seguir Sua liderança.

“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp2:13).